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Pra que serve a análise?

  • Foto do escritor: asmpsicologia
    asmpsicologia
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Muitas pessoas começam uma análise carregando várias expectativas. Uma delas é a ideia de que sairão dela como alguém diferente, uma versão melhor de si mesmas.

Mas esse não é o papel da análise.

Ela não serve para transformá-lo em alguém "melhor".

Nem para moldá-lo em alguém que corresponda a um ideal.

A análise serve para que você possa sustentar quem você é.

Não quem os outros esperam.

Não os papéis que aprendeu a desempenhar ao longo da vida.

Mas quem você efetivamente é, com suas faltas, desejos, contradições, limites e possibilidades.

Se há algo que posso dizer sobre a análise, é que ela oferece um espaço raro: um lugar onde você pode ser verdadeiro consigo mesmo.

Um lugar onde pode se ouvir sem a obrigação de se julgar.

A análise é um espaço onde as máscaras podem descansar.

Onde é possível entrar em contato com aquilo que há de mais profundo, mais íntimo e, por vezes, mais obscuro em nós mesmos.

Ela não vem acompanhada de promessas.

Aliás, talvez uma das suas maiores potências seja justamente não prometer.

Ela acolhe.

Escuta.

Sustenta a travessia.

A análise ajuda a transformar em palavra aquilo que, até então, só conseguia aparecer como sintoma, angústia ou repetição.

Por isso, seu convite não é:

"Venha para a análise para deixar de sofrer."

Mas...

"Venha para a análise para compreender o lugar que você ocupa na sua própria história."

E pode ser que, a partir disso, o sofrimento diminua.

Que os sintomas mudem de forma.

Que certas repetições percam força.

Mas isso não acontece porque alguém disse o que fazer.

Acontece porque a pessoa aprende a lidar consigo mesma, a transformar sua relação com o próprio desejo, com sua história e com seus conflitos.

Uma análise permite que a vida volte a circular onde antes havia apenas repetição.

Onde antes havia apenas sofrimento.

O trabalho do analista não é ensinar como viver nem dizer o que fazer.

É favorecer um encontro.

Um encontro com aquilo que foi esquecido.

Com aquilo que foi perdido.

Com aquilo que permanece vivo, mas que, por algum motivo, deixou de ser reconhecido.

Talvez a análise não sirva para mudar quem você é.

Mas sim, para que você pare de fugir de si.

 


 
 
 

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PSICÓLOGA ANGÉLICA MONTEIRO

CRP 08/29427

©2020 por Psicóloga Angélica Monteiro. 

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